
Educação e especialização
Ao contrário da Economia, da Justiça ou da Saúde, em que, habitualmente, são chamados os profissionais da área respectiva a pronunciar-se, na Educação todos se sentem habilitados a emitir opinião sobre o sector e sobre as reformas que são ou não necessárias. Como todos passámos pelos bancos da escola e/ou somos mães ou pais sentimo-nos habilitados a debitar sobre Educação e a fazer os mais definitivos diagnósticos sobre o sector. Há a ideia generalizada de que esta não é uma matéria que exija especialização. Contudo, qualquer professor consciente sabe que, pelo contrário, é um sector que exige uma enorme especialização e experiência. Para se ser ministro da Educação em Portugal não é necessário nem especialização nem conhecimento do sector. Ora acresce que Maria de Lurdes Rodrigues manifesta uma notória dificuldade de comunicação, uma “qualidade” no mínimo estranha, numa pasta que envolve milhões de pessoas e em que a capacidade de comunicação deveria ser prioritária. Os portugueses têm assistido, com alguma perplexidade, às queixas da ministra da Educação sobre as taxas de insucesso e abandono escolar. Afinal, a um ministro da República não se pede que se queixe, mas que resolva os problemas. Para isso tem, primeiro, de conhecer a realidade. Contudo, os argumentos que a ministra e os seus secretários de Estado têm trazido para a comunicação social mais não revelam que um profundo desconhecimento do trabalho produzido nas escolas. Envolver os professores na solução dos problemas e não hostilizá-los seria bem mais vantajoso. Há anos que os professores deitam as mãos à cabeça com as medidas apresentadas pelos sucessivos governos, cada uma pior que a outra. Com a sua proverbial paciência, professores e conselhos executivos tentam implementar o que, muitas vezes, não tem qualquer viabilidade ou ligação à realidade.

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